' ?> O conceito de Outro (Luiz Eduardo Prado de Oliveira)

O conceito de Outro
e a abordagem das psicoses [*]

Luiz Eduardo Prado de Oliveira


 
Tradução: Ana Maria Andreoni Rolim.
Revisão da tradução: Laurice Levy Hoory.
Artigo revisto pelo autor para esta publicação.


« Amigo, vamos abrir o A ? »
...
« Passou-me um elefante pelo pensamento. »
...
« O que este mundo é, é um rosário de bolas...»
Fechando a sentença.

“O Outro ou o Outro”
Tutaméia — Terceiras Estórias

João Guimarães Rosa


ASSUNTO

Para o leitor inadvertido que se aproxima dos Escritos e dos seminários de Lacan, tanto quanto daqueles que seguiram e continuaram a elaboração da teoria lacaniana, a utilização que é feita de certos conceitos parece, ao leitor atento, surpreendente ou desorientadora. É o que acontece com o conceito de Outro.
As nuances e a riqueza desse conceito não serão completamente avaliadas até pelo menos que tenha sido estabelecido o texto do Seminário XVI, que traz o título De um Outro ao outro. Tendo o essencial do ensinamento de Lacan sido feito de forma oral, tal título já se presta a discussão, podendo ser lido também como De um outro ao Outro, como veremos. A transcrição dos seminários exige um grande trabalho. Seja como for, a expectativa deste seminário, que trata precisamente do Outro (A) e do outro (a), introduzindo a forma do A (A barrado, isto é, do impossível de ser dito), não exclui a possibilidade de estabelecer algumas definições possíveis deste conceito e de esboçar assim a articulação mencionada. Por outro lado, a maneira de pensar o Outro é determinante à abordagem das psicoses, pelo menos a partir da formulação por Lacan de uma questão preliminar a todo tratamento possível destas formações do inconsciente.


ESCRITOS

Comecemos pela primeira apresentação ao grande público, em 1966, do conceito Outro. Quando Lacan expõe De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose, define o Outro como sendo, para o sujeito, “o lugar de onde pode ser colocado, para ele, a questão de sua existência”, isto é: de sua sexualidade e de seu desejo, de sua procriação e de sua filiação, de sua existência e de sua morte, do destino que terá sido o seu, enfim [1].
Outro, portanto: um lugar de questionamento do sujeito. Poderia ser uma versão lacaniana do conceito de Inconsciente. Outro é um lugar, um espaço, topológico, decerto. Intrapsíquico, provavelmente, mas apresentando-se também, exteriormente, tal qual o Deus de Schreber, que abre o caminho a essa “questão preliminar”. Bastaria que deste lugar viesse o questionamento de cada um quanto à sua existência e seus principais eixos para que ele (o lugar) se constitua como o Outro. Logo poderá ser também: um Outro idioma, um Outro país, uma Outra prática social, sob a forma banal de uma Outra sociedade transformada pela revolução. Provavelmente, uma Outra pessoa.
Em outro lugar, onde trata da Subversão do sujeito e dialética do desejo no Inconsciente freudiano, Lacan muda de registro :
“Do qual se deduz que este Outro não é nada além do puro sujeito da moderna estratégia dos jogos, como tal perfeitamente acessível ao cálculo da conjectura, porquanto o sujeito real, para pautar o que lhe é devido, não se dará conta, aí, de nenhuma alienação dita subjetiva ao senso comum, quer dizer, psicológica, mas somente da inscrição de uma combinatória cuja exaustão é possível [2].”
Lacan passa, então, ao domínio do cálculo das probabilidades, à lógica das combinatórias. O Outro não é mais um lugar de questionamento, embora continue sendo um lugar “da inscrição de uma combinatória, na qual a exaustão é possível”. Uma tal definição não é sempre incompatível com o conceito de Inconsciente, senão no sentido freudiano, pelo menos no sentido de Ferenczi que, em suas Notas Póstumas, a propósito de sua articulação com as matemáticas, afirma que o Inconsciente calcula, quer dizer, esgota uma combinatória [3]. A analise combinatória é um elemento da teoria dos conjuntos que trata da organização dos grupos de elementos ou da organização de uma série de números cujo último depende do primeiro. Ela desempenha um papel determinante na teoria dos jogos e da circulação da informação.
De maneira surpreendente, no meio do mesmo artigo, Lacan dará um salto da matemática à lingüística. Escreverá, então, que o Outro é “o lugar do tesouro do significante, o que não quer dizer do código” [4].
Portanto, o que isso não quer dizer? Que o Outro não seja o lugar do desdobramento de uma correspondência unívoca entre um significante e qualquer coisa, que o Outro não pode ser assimilado ao código de trânsito, ao código de boas maneiras, ao código telegráfico, ao código Morse, e que dele não emanará nenhum SOS, como também nenhum imperativo, nenhuma lei. E o que é “o lugar do tesouro do significante” ? É “o lugar do ajuntamento sincrônico e enumerável, onde nenhum (significante) se sustenta senão pelo princípio de sua oposição a cada um dos outros [5].” O significante é entendido, portanto, aqui, em termos de lingüística estrutural, em termos de oposições binárias entre elementos, a “alto” correspondendo “baixo”, a “homem” correspondendo “mulher” e assim por diante.
Esta concepção se opõe ao que Freud escreve a respeito do Duplo Sentido das Palavras Primitivas, onde “altus” podia significar tanto “em altura” como “em profundidade” [6]. Sabemos que Benveniste critica estas teses, afirmando que caso uma palavra pudesse ter duplo sentido em uma língua, isto assinalaria a indiferenciação entre as noções assim designadas dentro desta língua e mesmo mais : sua inexistência. Lacan assinala a pertinência destas críticas para a filologia, mas as recusa para a lingüística estrutural, admitindo a presença de sentidos antinômicos no campo do significante [7].
Entretanto, após haver passado da matemática à lingüística, Lacan vai desta à teoria da comunicação, postulando a fórmula, daí em diante célebre, que “é do Outro que o sujeito recebe a mensagem que ele emite” [8]. Fórmula que desenvolverá ao fazer depender do Outro o ponto “capitonné” [9].
O que faz a teoria da comunicação? Primeiro, ela define a comunicação: uma mensagem foi enviada, uma outra mensagem deve retornar àquele que a emitiu. Se não há o retorno, não há a comunicação. Ora, Lacan postula que a mensagem retorna sempre e à lá mesmo de partiu [10]. Para que tenha um retorno entretanto, deve haver um momento em que a mensagem se detenha. E lá onde ela pára é o ponto “capitonné”. Ponto que Lacan fará depender do Outro. O sujeito não conhecerá, segundo Lacan, o conteúdo de sua mensagem a não ser que ela seja reenviada, nem que seja sob a forma do silêncio. Essas fórmulas serão desenvolvidas mediante o estabelecimento de outras que conheceram a mesma fama: o sujeito recebe do Outro sua mensagem “sob uma forma invertida” [11].
Quando digo “você é minha mulher”, significo “sou seu homem”, por exemplo, quer dizer, o oposto do enunciado da mensagem. O retorno da mensagem pode ser “pouco se me dá” ou “tenho outros como você”, ou “mas eu, por minha parte, não o sou, sua mulher”. Diversificados pontos “capitonnés”. Pouco importa! Para o sujeito da enunciação, se ele se sustenta pela Psicanálise, ele saberá que o que significou não foi o que disse. Um “prove-o” lhe mostrará que seu caso é histeria. Um “mais um” (entre mim e a morte) lhe mostrará a obsessão. “Pouco me importa” ou “pouco se me dá”, a depressão. Uma total ausência de resposta, eventualmente a psicose. Em qualquer um dos casos, todas essas respostas, todos esses pontos “capitonnés”, dependerão de sua maneira de se engajar num face a face com o “você é minha mulher”. Por que ele a escolheu? Como lhe falou? Em que momento? Em que lugar? Diante de quem? Todos esses pontos “capitonnés” dependerão do Outro, desde que, realmente, sua mensagem tenha sido, primordialmente, auto-reveladora.


COMENTÁRIOS E ABORDAGEM DAS PSICOSES

Uma primeira observação : o seminário da Carta Roubada data do ano letivo de 1954-1955, o seminário sobre as psicoses data do ano letivo seguinte, de 1955 a 1956, a contribuição de Lacan ao Congresso de Royaumont que aparece nos Escritos como Subversão do sujeito e dialética do desejo no Inconsciente freudiano data de setembro de 1960 e o “parêntese dos parênteses” é integrado em 1966 ao texto sobre a Carta Roubada, quando da primeira publicação dos Escritos. Resumo doze anos de referencias lacanianas à questão do Outro, cujos principais eixos apresento aqui, baseado no texto revisto e dado à impressão pelo próprio autor.
No seminário sobre as psicoses, Lacan precisa: “Tal outro, escreveremos, se querem, com um grande A.
“E porque com um grande A ? Por uma razão sem dúvida delirante, como todas as vezes que se é forçado a trazer signos suplementares ao que dá a linguagem. Esta razão delirante é aqui a seguinte. Tu és minha mulher — mas, enfim, como sabê-lo ? Tu és meu mestre — de fato, como estar seguro ? O que dá precisamente valor fundador a estas palavras, é o que se visa com a mensagem, tanto quanto o que se manifesta no engano, é que o outro aí está enquanto Outro absoluto. Absoluto, quer dizer que êle é reconhecido, mas não é conhecido. Da mesma maneira, o que constitui o engano, é que não se sabe no final das contas se trata-se de um engano ou não. É essencialmente esta incógnita na alteridade do Outro que caracteriza a relação da palavra no nível em que ela é falada ao outro [12]”. Encerro aqui, por enquanto, o levantamento das diferentes perspectivas do conceito de outro.
Uma segunda observação.No final dos Escritos, J.-A. Miller comenta os esquemas lacanianos da dialética intersubjetiva. Lembremo-nos do Esquema L [13]:


Esquema L


Seu comentário afirma que este esquema restitui a relação imaginária na estrutura que a põe em cena, levando à reduplicação de seus termos:
“O pequeno outro estando alceado em grande Outro, a anulação do sujeito da cadeia significante vem duplicar o eu. A simetria ou a reciprocidade pertencem ao registro imaginário e a posição do Terceiro implica a do quarto, que recebe, conforme os níveis da análise, o nome de sujeito barrado ou o de morte [14]”.
Ora, sabemos que a relação imaginária é aquela do eixo aa’. Deduzimos, portanto, que, para o autor do comentário, há consistência do eu, na medida que essa consistência exige a instituição de A; e que A anula S, o sujeito, posto que o Outro se constitui em $, quer dizer, em recalcamento e, mais que recalcamento, em sua incapacidade de dizer, sua incapacidade de se dizer.
É a concepção de J.-A. Miller. Não é mais A que fornece uma analogia com o Inconsciente, mas com o sujeito barrado, $. A tornou-se o “lugar do recalcamento” e uma isomorfia foi criada entre A e S. É verdade que, conforme uma outra linguagem freudiana, aquela que tenta articular a segunda e a primeira tópicas, será possível dizer que o Super Ego é inconsciente ou que ele constitui o “Inconsciente” enquanto tal.
Nesse caso, independentemente do isomorfismo com S, será a noção de “morte” que prevalecerá para definir A. Por quê não? Basta pensar em Moisés e o Monoteísmo, de Freud [15]. O Outro aí é, efetivamente, um morto, o pai morto. O Inconsciente será o lugar ocupado por esse pai morto.
Mas o comentador prossegue seu caminho. Agora, seu comentário incide sobre o Esquema R, do qual discutiremos toda a riqueza potencial, detendo-nos em cercar o A como é aí comentado. Lembremo-nos desse esquema [16]:

Esquema R

Onde Ф [ falo, quando é imperativo entender que se trata dos significantes relativos ao falo, como os descreve a justo título Quignard, para bem diferenciá-los do exclusivo e redutivo campo peniano [17]; I [ ideal do ego, Lacan escrevendo de fato, aqui, “moi” e não “Je”; M [ significantes do objeto primordial, distintos da pessoa da mãe; P [ posição em A do Nome-do-Pai; S [ sujeito; J [ Eu; A [ Outro; a [ outro imaginário, ego; a’ [ outro primo, enquanto objeto, alter ego; i [ imagem especular; m [ ego enquanto identificação narcísica; de fato, escreve Lacan, a propósito do esquema R : “Podemos assim situar entre i e M, seja em a, as extremidades dos segmentos Si, Sa1, Sa2, San, SM, onde colocar as figuras do outro imaginário nas relações de agressão erótica onde se realizam, assim como de m a I, seja em a’, as extremidades dos segmentos Sm, Sa’1Sa’2, Sa’n, SI, onde o ego se identifica, desde sua Urbild especular até a identificação paterna do ideal do ego.”
Miller vê em iM, como Lacan, as figuras do outro imaginário, mas acrescenta que elas culminam na figura da mãe, Outro real, inscrito no simbólico sob o significante de objeto primordial, exterior primeiro do sujeito, que traz, em Freud, o nome de das Ding. Aparentemente, o Outro real será tanto mais a mãe que se inscreverá sob a insígnia de P, onde aparece o Nome-do-Pai.
Aqui, temos alguns problemas reais, quer dizer, reais no âmbito da conceituação, do esforço de pensar. O Outro pode ser o lugar de questionamento, o lugar do tesouro dos significantes (tesouro que, por maior que seja, não será inesgotável, visto que a combinatória é exaustiva), o pai morto ou a mãe, Outro real. É verdade que o acréscimo “conforme o nível da análise” a todas essas definições pode fazer com que elas se tornem compatíveis, poupando-nos o verdadeiro esforço de articulação imperativo a seu recíproco esclarecimento. O apelo à topologia pode render esse mesmo serviço: o Outro real seria a mãe, o Outro simbólico seria o pai morto, figuras igualmente compatíveis com os lugares de questionamento ou de tesouro de significantes, enquanto o Outro imaginário, enfim, seria a análise combinatória e matricial como metáforas, porém, da criação.
A consideração do que é pertinente às matemáticas como sendo da ordem do imaginário chocar-se-ia, todavia, com sérios obstáculos se lembramos a maneira pela qual Lacan fazia referência a este domínio do saber. A partida, no entanto, merece ser jogada, com seus ganhos e perdas. O problema imediato, muito preciso, é outro.
Não sabemos exatamente o que Freud entendia por das Ding, esta palavra erigida em conceito pelos românticos alemães. A Coisa, traduz Lacan. E, se tentássemos conhecer a Coisa lacaniana, remeter-nos-íamos a Heidegger se o Seminário sobre A Ética da Psicanálise não tivesse sido, para Lacan, a oportunidade de mostrar como a entende [18].

Lacan fora visitar seu amigo Prévert, na casa de quem viu uma caixa de fósforos, quer dizer, uma coisa. Mas Prévert, como num jogo de crianças, encaixa as caixas de fósforos umas às outras de maneira a ter uma série de caixas de fósforos. Esta série, para Lacan, tira à caixa seu caráter de coisa e a eleva ao status de Coisa. O que faz com que uma coisa se torne Coisa é a repetição. E a compulsão à repetição, juntamente com as brincadeiras infantis e a agressividade, são os principais fundamentos da pulsão de morte, que põe em evidência seu funcionamento.
Outros exemplos, mais grandiosos, existem. Ítalo Calvino queria saber o que é o mar: dizendo para si mesmo que o mar é uma sucessão de ondas e desesperando-se em descobrir a diferença entre uma onda e a seguinte, acreditava que ficaria louco. Ou Marguerite Duras, que via nas ondas a prova da respiração desse grande corpo animal que é o Oceano. Eis aí o corpo do mundo, a Coisa. É o que Lacan dirá mais claramente, pouco depois: “Onde insistimos pela primeira vez que o lugar do Outro não deve ser procurado em outra parte que não o corpo, que não é intersubjetividade, mas cicatrizes tegumentárias sobre o corpo, pedúnculos que se ligam a seus orifícios fazendo ofício de tomadas, artifícios ancestrais e técnicas a roê-lo [19].” O corpo considerado como significante primeiro.

A Coisa, o Outro real, é o que é constituído pela compulsão à repetição, pela pulsão de morte. E a mãe, o Outro real, é assimilada à Coisa. Mas, o que se repete pode ser uma garrafa, para o alcoólatra; a sedução, para a histérica; qualquer coisa, para o obsessivo; sapatos, para determinados fetichistas; chicotadas, para o masoquista ou para o sádico. Basta haver repetição. Tudo isso e também outras coisas ainda poderiam ser conectadas seja à mãe, seja ao pai morto, seja às variações das diversas análises combinatórias. Bastaria pensar que a mãe nada mais é do que sua capacidade de se representar enquanto tal e de reproduzir indefinidamente esta representação, tanto quanto o pai — e, mesmo, o pai morto —, da mesma forma que o “puro sujeito” da estratégia dos jogos, que era moderna há uns vinte anos.
Essas articulações são possíveis, mesmo se há um certo perigo em empregar apenas um conceito, o de Outro, para formações psíquicas tão diferentes; mesmo se uma certa “babelização” não deixa de se produzir quando um mesmo conceito pode designar a mãe sob a acepção de Klein ou de Winnicott; o pai, sob a acepção de Freud ou Lacan; e o tesouro do significante ou a análise combinatória, sob a acepção de Lacan. Basta estar alerta. Não somente um vago “conforme os graus de análise” é insatisfatório, como se encontra, em textos de diferentes autores lacanianos, a necessidade de clarificar o uso que fazem do conceito mediante o travestimento do Outro em “maternal”, “paternal”, etc., que o alteram segundo a conveniência ocasional. O fato de estar em alerta permite a economia de brincadeiras “antropológicas”.
Em outros momentos de seus Seminários — e nos restringiremos, muito voluntariamente, àqueles que foram publicados, Lacan ou refaz os percursos aqui designados, mas de outro modo — de maneira a estabelecer um certo hermetismo relativo ao grande Outro —, ou então nos abre uma perspectiva toda nova.
Entretanto, quero assinalar algo, inspirado dos exercícios de topologia ou de geometria aos quais Lacan se dedicava no final de seu percurso [20]. Sabe-se que estas disciplinas podem receber uma transcrição algébrica. Sabe-se também que toda figura geométrica pode sofrer torções. Quero propor algumas torções possíveis do Esquema R, seguindo assim o exercício lacaniano de compreensão do caso Schreber, tal como se apresenta no Esquema I, que mostra a distorção imposta ao campo R devido à projeção de M sobre I, e de i sobre m, com o esfacelamento de Ф e de P . Este esquema corresponde na verdade a uma dobra diagonal do esquema R, levando sua parte esquerda superior ao encontro de sua parte direita inferior.
Uma torção equivalente à dobra do eixo horizontal deste esquema teria como conseqüência a projeção do eixo ? ? iM sobre o eixo IP, levando a uma certa exteriorização, senão ao desaparecimento do campo R , à confusão entre Ф, m e I, entre S, J e a’, entre a, ’S e A por um lado, entre M e P, enfim, por outro. Tal é a representação algébrica da torção obtida e que representa as formações do inconsciente próprias às melancolias e catatonias, que seguem por vezes o autismo recuperado de maneira inteligente. Recentemente, disse uma analisanda cuja formação psíquica pode corresponder a esta representação, em cuja vida Ф e I se confundem tanto quanto M e P, ou seja, para quem o falo e ideal do eu se misturam, enquanto os significantes ligados as historias das mães anulam por completo aqueles ligados às historias dos pais, disse ela, enfim: “No final das contas, não sou uma mulher. Sempre fui e serei um espermatozóide, nada além. Antes, era uma porrinha. Agora, sou um espermatozoidão. Quem não conhece nem o nome do pai não pode passar disso”. Onde se exprime seu desprezo pelos espermatozóides e o infinito recalque de não poder ao menos imaginar-se um óvulo, visto seu organismo não produzi-los. Comentário que não esgota as possibilidades de tais declarações, posto que mantendo-se como espermatozóide, vinha ela fecundar a vida estéril de uma mãe que se quer enquanto pai.
Uma dobra no eixo vertical do plano do Esquema R traz outras conseqüências, a saber: uma colisão entre M e Ф , uma outra entre P e I, a degringolada que mistura A à a’ e que os absorve todos em m, sendo Ф e I os extremos de um eixo por definição instável. A este respeito, cito um analisando que define sua homossexualidade como tendo enquanto objeto exclusivo heterossexuais. Assinalo a freqüência deste paradoxo em casos próximos as psicoses. Em seu caso, nenhum heterossexual podendo interessar-se a um homossexual sem se tornar imediatamente homossexual, encontra êle a solução de se travestir, que corresponde a primeira colisão antes assinalada, onde se esconde o fantasma de uma mãe, não em posse do falo, mas identificada a êle, e de um pai que não transmite nem sustenta um ideal, mas se resume a este. Assinalo ainda que a redução do dilema do travestimento à solução da angustia de castração é grave erro teórico e clínico. Diz êle, se lamentando: “Nunca tive uma conversa íntima com minha mãe. Nunca foi possível. Acho que se um dia tivesse uma conversa íntima com ela, isso desencadearia tantas ereções que nem sei onde iríamos parar, hum, eu disse "ereções" ? Esquisito, não é ? Queria dizer, "reações".” Tantas ereções ou uma só gigantesca ereção é a equivalência que se impõe, segundo a lógica do significante cujas premissas Freud estabeleceu ao interpretar sonhos, quando metáforas e metonímias se confundem sob o aspecto angustiante da catacrese.
Figuras do Outro nas psicoses: espermatozóides ou grande ereção.

Demais exercícios topológicos são possíveis. Se Lacan considerava que a simples introdução de um A maiúsculo para designar este outro já provinha de fontes delirantes, o que dizer desta inflação de signos cabalísticos aqui propostos ? Para salvar-nos do delírio, introduzo o humor. Observo então que o campo R (de real) é circunscrito por quatro cercas, que constituem a área MimI, nome de gatinha, que em francês serve também a nomear o sexo feminino. Lacan percebeu ter assim nomeado este campo, referindo-o porém à banda de Mœbius [21].


CONCLUSÃO PRELIMINAR

Outros seminários de Lacan não trarão elementos suplementares às questões aqui apresentadas. Durante o seminário de 1964 sobre Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise, Lacan afirma que “o significante, produzindo-se no campo do Outro, faz surgir o sujeito de sua significação [22].” Trata-se de formulação diferente daquela que afirma que “é do Outro que o sujeito recebe a mensagem que ele emite”[23]. Neste último caso, o Outro é ativo em relação à retransmissão da mensagem, enquanto que, no primeiro caso, o Outro se assemelha a um receptáculo susceptível de ser fecundado pelo significante que nele procura a parturição do sujeito de sua significação.
Do mesmo modo, no seminário sobre O Eu na teoria de Freud e na técnica da Psicanálise, dos anos 1954-55, no capítulo cujo título é “Introdução do grande Outro”, o que importa sublinhar, Lacan afirma:
“Há dois outros a serem distinguidos, pelo menos dois — um outro com A maiúsculo e um outro com um pequeno a, que é o eu. O Outro, é dele que se trata na formação da palavra [24].”
Confirma-se a mesma inquietação, a mesma constância em Lacan, com uma dezena de anos de intervalo, como já assinalei. Nada de “antropomorfia” do Outro. Ele é um lugar, ele é um campo, ele é uma função. De um questionamento, de um tesouro de significantes, de uma cadeia combinatória ou significante.
No entanto, nesse mesmo seminário, algo de surpreendente ocorre. Lacan circunscreve o conceito de maneira absolutamente singular no percurso de seu pensamento :
“Eu começo por A, que é o Outro radical, o da oitava ou nona hipótese de Parmênides, que é também o pólo real da relação subjetiva, e ao que Freud liga a relação ao instinto de morte [25]” .
Aqui, o conceito é introduzido mediante uma referência a Parmênides.
Reencontramos aqui as noções que, no decorrer desse artigo, nos foram tornadas familiares: o Outro ligado à noção de um pólo real, por um lado; à pulsão de morte, por outro lado. Essas noções não devem nos perturbar além da medida. Sabemos como Freud lê as figuras da mãe, da amante e da morte em O motivo da escolha dos escrínios [26]. A passagem do registro do pai morto da horda primitiva, enquanto representante da morte por excelência, ao registro da mãe dos três escrínios, enquanto representante primordial da morte, corresponde a uma oscilação, aliás, mais pronunciada em Freud do que em Lacan. Como se fosse indecifrável o sexo dos pais no fantasma que tenta esconder a sombra do abismo da morte.
Portanto, temporariamente dissipada esta perturbação, atenhamo-nos à curiosa citação de Lacan. Sabemos, desde Hegel e com Freud, que o exemplo, a citação e o comentário são a coisa mesma.
Lacan começa “por A, que é o Outro radical, aquele da oitava ou nona hipótese de Parmênides ...” Hipótese discutida por Heidegger no artigo “Moira”, uma das figuras do destine entre os gregos, de seus Ensaios e Conferências [27]. Eis aqui esta hipótese:
“Pensar e o pensamento que "É" é são uma mesma coisa ; porque, sem o sendo, onde ele reside como coisa enunciada, não saberás encontrar o pensamento.
Certamente ali não há nada, ali não haverá nada fora do sendo, visto que a Moira lhe impôs do ser um tudo, e fixo. Não será, pois, sendo um nome tudo o que os mortais tenham assim fixado, convencidos de que era verdade : "vir a ser" como "perecer", "ser" assim como "não ser", "mudar de lugar" tanto quanto "passar de uma cor brilhante a uma outra" [28]”.
O que aqui se inscreve da concepção mais ampla do conceito de Outro aparece como cintilante jogo de espelhos :

- Pensar e ser idênticos ;
- Pensar e enunciar idênticos ;
- Tudo o que os mortais fixam, nomes ;
- Um nome e seu contrario, sempre nomes.

Com Parmênides e Heidegger, encontramos, enfim, a fonte do conceito de Outro em Lacan e todo o seu esplendor. A compreensão clínica do conceito assim definido é mais difícil de ser avaliada do que quando ele é “antropomorfizado”. Sem dúvida, mais rica.

ANEXO

Schema I

ESQUEMA I :

“S'adresse à nous” Dirige-se a nós
“Jouissance transsexualiste” Gozo transexual
“Laissée tomber par le Créateur” Deixada cair pelo Criador
“Image de la créature” Imagem da criatura
“Futur de la créature” Futuro da criatura
“Aime sa femme” Ama sua mulher
“Où se maintient le crée” Onde se sustenta o criado
“Créatures de la parole” Criaturas da fala
“Parole” Fala [29]


Uma primeira observação: o Esquema I, elaborado para permitir uma representação gráfica da análise feita por Lacan do “caso Schreber”, não se limita a ele. Se os elementos referentes as alucinações, delírios e fantasmas do Presidente lhe são próprios, é possível generalizar a deformação topológica provocada pelas dobras infligidas aqui ao Esquema R. O gráfico obtido recebe o nome de I enquanto inicial da palavra “imaginário”. O problema aparece ao considerarmos que esta deformação é apenas uma entre as possíveis, mesmo se o esquema I deve caracterizar um caso de paranóia que Lacan toma como exemplar das psicoses, certamente com razão. Impõe-se questionar esta razão para abrir perspectivas. É fecundo comparar as dobras possíveis de se impor ao Esquema R e as formulas freudianas do retorno do recalcado nas psicoses, tais como aparecem em seu estudo a respeito de Schreber.
Segunda observação : o esquema I exclui a representação do Outro, que aparece como inexistente na psicose e, em todo caso, na paranóia. Este problema merece ser assinalado, antes de mais nada, para que se possa começar a buscar solucioná-lo tanto na teoria quanto na elaboração clínica. Da mesma forma, Freud pode afirmar a inexistência da transferência nas psicoses ou neuroses narcísicas, sem evitar de mencionar a transferência de Schreber para com seu médico, Flechsig [30]. Curioso ainda mencionar que o conceito de “forclusão do Nome-do-Pai” como explicativo das origens da psicose não é representado no Esquema I. Este esquema representa a forclusão do Outro no lugar de P e não o inverso como o pretenderam alguns autores [31]. De fato, nele não aparece A, mas sim P, embora com a indicação de sua tripartição ou esfacelamento [32].
O que isso significa ? A hipótese que obedece à antropomorfizaçào dos esquemas R e I sugere que, pelo menos na paranóia, não existe inscrição da mãe ou das funções maternas no inconsciente do pai. A mãe existe, mas como distante lugar do eixo imaginário mM, abandonada pelo pai, ou como pólo deformado de um eixo iM. Entretanto, vimos que esta antropomorfização não é imperativa. Ela é apenas uma das possibilidades de interpretação do pensamento lacaniano, não necessariamente a mais rica.
Terceira observação, enfim, levando a novos questionamentos. Os esquemas de Lacan indicam posições topológicas. Não compreendem os conceitos de dinâmica, economia ou gênese que, integrados à topologia, formam a metapsicologia freudiana, ou seja, o que permite compreender um modo de trabalho. É o esforço de compreensão dos modos de trabalho próprios às psicoses que permitirá a compreensão das modalidades de tripartição do nome-do-pai e do falo, tal como aparecem representados no esquema I. Estes modos de trabalho são a identificação narcísica, segundo a indicação de Freud, a identificação projetiva, segundo a indicação de Tausk, primeiro, e Melanie Klein, em seguida, as quais se acrescenta a identificação adesiva proposta por Meltzer para a compreensão do autismo. Uma abordagem dinâmica do conceito de forclusão impõe-se, que permita localizar os campos semânticos, e outros, nos quais atua, como também sua possível reversibilidade através da cura analítica.
Cumpre assinalar, enfim, o esboço de um debate onde duas posições se sustentam. Por um lado, Miller assinala que o pequeno outro alceia-se em grande Outro, como vimos. Por outro lado, como indica Allouch, pode-se compreender que o Outro dá-se de início e que ele, por assim dizer, degrada-se em pequeno outro, marcando uma oscilação no pensamento de Lacan [33]. A discussão assim colocada, e sobretudo levando em consideração as possibilidades de antropomorfização do Outro e do outro, é exatamente isomorfa ao debate ocorrido entre os psicanalistas britânicos e vienenses em Londres, entre 1942 e 1944. Discutia-se então a possibilidade de uma percepção global da mãe pela criança desde o nascimento, o que provocaria sentimentos depressivos inaugurais, tese à qual se opunha uma outra, relativa à constituição progressiva da percepção da mãe, o que faria que os sentimentos depressivos só aparecessem mais tarde.
Diante da violência das psicoses, não é do interesse dos psicanalistas fecharem-se em escolas, porém, sim, de unir sua capacidade de trabalho teórico e clínico.

[*] Partes deste artigo foram publicadas originalmente com o título « Autre » em Esquisses Psychanalytiques, n° 9, primavera de 1988. As traduções das citações de Freud e de Lacan são responsabilidade do autor do presente artigo, que o ampliou para esta atual publicação
[1] J. Lacan, “D’une question préliminaire à tout traitement possible de la psychose”, Ecrits, Paris, Editions du Seuil, 1966, p. 549.
[2] J. Lacan, “Subversion du sujet et dialectique du désir dans l’inconscient freudien”, idem, p. 806.
[3] S. Ferenczi, “Matematica”, Œuvres Complètes, tome 4, Paris, Payot, 1982, pp. 207-218, trad. Equipe du Coq-Héron.
[4] J. Lacan, “Subversion du sujet et dialectique du désir dans l’inconscient freudien”, op. cit.
[5] Idem.
[6] S. Freud, “Sur le sens opposé des mots originaires”, L’inquiétante étrangeté et autres essais, Paris, Gallimard, 1985, pp. 47-60, trad. B. Féron.
[7] J. Lacan, “Le séminaire sur La Lettre Volée”, Ecrits, op. cit., p. 22, note 1.
[8] J. Lacan, “Subversion du sujet et dialectique du désir dans l’inconscient freudien ”, op. cit.
[9] “Point de caption” : a tradução para ponto capitonné é mais elucidative, pois é assim que êste ponto é conhecido. Tal ponto é feito com linha de seda, pespontada em tecidos, para a confecção de estofados, colchas ou roupas, traçando desenhos e fazendo demarcações.
[10] J. Lacan, “Le séminaire sur La Lettre Volée”, Ecrits, op. cit., pp. 11-61.
[11] Idem, mais particularmente “La parenthèse des parenthèses ”, pp. 54-61.
[12] J. Lacan, Le Séminaire, livre III, Les Psychoses, Paris : Editions du Seuil, 1981, p. 48.
[13] J. Lacan, “D’une question préliminaire à tout traitement possible de la psychose”, Ecrits, op. cit., p. 548.
[14] J.-A. Miller, “Table commentée des représentations graphiques”, Ecrits, op. cit., p. 904.
[15] S. Freud, L’homme Moïse et la religion monothéiste – trois essais, Paris : NFR, Gallimard, trad. C. Heim.
[16] J. Lacan, “D’une question préliminaire à tout traitement possible de la psychose”, Ecrits, op. cit., p. 553.
[17] P. Quignard, Le sexe et l’effroi, Paris : NFR, Gallimard, 1994.
[18] J. Lacan, L’Ethique de la psychanalyse, Paris : Editions du Seuil, 1966.
[19] J. Lacan, in Annuaire de l’Ecole Pratique de Hautes Etudes, 1967-1968, p. 193.
[20] Para a compreensão do que se segue, ver imperativamente o esquema I, representação topológica da paranóia. J. Lacan, Ecrits, op. cit., p. 571, reproduzido no Anexo, no final do presente artigo.
[21] J. Lacan, idem, p. 553, nota 1.
[22] J. Lacan, Le Séminaire, livre XI, Les quatre concepts fondamentaux de la psychanalyse, Paris : Editions du Seuil, 1973.
[23] Cf. supra, nota 8
[24] J. Lacan, Le Séminaire, livre II, Le moi dans la théorie de Freud et dans la technique de la psychanalyse, Paris : Editions du Seuil, 1978, p. 276.
[25] Idem, p. 370.
[26] S. Freud, “Le motif du choix des coffrets, in L’inquiétante étrangeté et autres essais, Paris : NRF, Gallimard, 1985, pp. 61-82, trad. B. Féron.
[27] Moira : denominação grega (Moîrai). Em latim, Parca (Fata, Parcas). Segundo Hesíodo, as Parcas são filhas da Noite ou, em outra passagem, de Zeus e Têmis. Provavelmente eram, de início, espíritos do nascimento, as “distribuidoras” da porção de vida concedida aos recém-nascidos. A palavra latina Fata parece uma adaptação de fatum, “o que está dito”, “o decreto dos deuses”. A palavra Parca, de parere (parir), significa “espíritos do nascimento”. In P. Harvey, Dicionário Oxford de Lietratura Clássica grega e latina, RJ:Jorge Zahar Editor, 1987, p. 379
[28] M. Heidegger, “Moira”, Essais et Conférences, Paris : Gallimard, 1958, pp. 279-280.
[29] J. Lacan, Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1998, p. 578, trad. Vera Ribeiro. Notas do autor do presente artigo à esta tradução brasileira. 1. “Parole”: considero muito problemática a tradução de “parole” por fala. Sem dúvida, “parler” é “falar”. Mas “parole” não é “fala”, e sim “palavra” tanto escrita quanto oral. Existe também “mot”, que é igualmente “palavra”. Alias, com maior conotação oral que “parole”. A traduçâo por “fala” tem um inconveniente importante, que é o da proximidade com “falo”, além de descartar a dimensão da palavra escrita. Em meu livro Freud e Schreber, les sources écrites du délire, entre psychose et culture, insisto sobre o fato de Schreber ser, antes de mais nada, um escritor e um leitor, bem como sobre o fato de que quase todas - senão todas - as suas alucinações auditivas apoiam-se no que ele lia. Assim, acho que “parole” deveria ser traduzido por “palavra”, pois as criaturas de Schreber são “criaturas de palavras” e não da “fala”. 2. “Laissée tomber” : Marilene Carone deixou uma excelente traduçâo das Memórias de um doente dos nervos, de Schreber (Graal, 1984). Acho a tradução da Marilene melhor do que as existentes em francês e em inglês, pois corrige as infelicidades de ambas. Para “laissée tomber”, ela propõe “deixada largado”. Podemos, todavia, aprimorà-la, desde que “deixar caída” lembra o “deixa cair” da nossa gíria. Assim, cremos que “deixada cair” é mais apropriado, já que esta presente no francês, língua a partir da qual esta tradução é feita. Lembremos, entretanto, que o alemão diz “liegen gelassen”, expressão cuja sexuação é impossível de ser verificada.
[30] Para um estudo detalhado desta questào, ver: Luiz Eduardo Prado de Oliveira, Freud et Schreber, les sources écrites du délire, entre psychose et culture, Paris: Eres, 1997, particularmente o capítulo “La construction du délire et le transfert”. Tradução em espanhol: Freud y Schreber, las fuentes escritas del delirio, entre psicosis y cultura, BuenosAires: Nueva Vision, 1997.
[31] Cf. : A. Quinet, “Schreber’s Other”, in D. B. Allison, Prado de Oliveira, M. S. Roberts e A. S. Weiss, Psychosis and Sexual Identity : Toward a Post-Analytic view of the Schreber Case, New York: SUNY, 1988.
[32] Sobre a questão da tripartição ou esfacelamento do nome-do-pai, ver C. Azouri e L. E. Prado de Oliveira, “Mirages et constructions”, in Schreber et la paranoïa – le meurtre d’âme, Paris : L’Harmattan, 1996, pp. 149-176.
[33] J. Allouch, avec postface de D. Anzieu, Marguerite ou l’Aimée de Lacan, Paris : EPEL, 1990 , p. 440 e sobretudo a nota 9, por exemplo.

 

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